
Posso explicar melhor esse título. Hoje, li uma matéria de uma mulher nascida e formada na China. Lá, no texto da matéria, ela falava de que ainda era muito cedo para se cobrar do mundo oriental noções de Democracia e Liberdade. Pois bem, no caso da música está acontecendo o efeito inverso. Aqui, no Brasil, tínhamos músicos e ou bandas atuantes na política, na defesa dos valores da população e a favor da liberdade. Hoje, o dinheiro público permeia toda a esfera artística e os “bundas de pereba” que a gente encontra no rock e no rap só falam de besteiras. Bando de Emo, bem nascidos, falando inglês, comendo crepe e tomando Stella Artois.
Vou expor aqui: meu maior medo é que meu filho vire Emo. E, a cada dia, me asseguro mais que todos, na faixa etária (alguns também serve a mental) de 10 a 18 anos, estão seguindo a ideologia emo. Quer dizer, sem ideologia alguma. Mas isso é assunto que podemos discutir algum dia com um latão de pitu e um prato de sarapatel. O que gostaria de me ater nessa volta a este monólogo em banda larga é a extinção dos artistas com opinião e com algum conteúdo político e social.
O ciclo é bem fácil de entender: Todos ganham verbas públicas para gravar discos, fazer turnês, DVD, camisa, boné, o escambau e depois quem vai abrir a boca pra falar do financiador? Isso mesmo, ninguém. O fato é que o dinheiro público deve ir para a cultura como vai para a saúde, para a segurança, para todas as esferas do convívio social. Quem aí ouviu algum músico, banda, vocalista bêbado em festa ou até baterista preso falar do escândalo de Sarney? Quem viu algum produtor de banda, agente ou DJ carioca se posicionar sobre o que aconteceu com um dos coordenadores do Afro Reggae, Evandro? Ninguém!
O ministro do Meio-Ambiente apareceu defendendo uma postura sobre a maconha e suas co-relações com a sociedade, e foi recriminado. Quem dos artistas fumadores de maconha foram à imprensa defender tal postura, louvável, de um gestor público? Ninguém! Pois é. O caso é mais grave do que se vê. Não é a MTV considerar a melhor banda de rock do Brasil ser Fresno, NXZero ou Forfun, sei lá. O problema é que estamos formando artistas de porcelana, roqueiros de Poup-Up e homens sem valor.
E o pior é que esse vírus é mais “brabo” que o Influenza A (h1n1), ele corrompe artistas e pilares já consagrados. Marcelo D2, há alguns anos, creio que sairia em defesa do Carlos Minc. Acho que Marisa Monte também, Arnaldo Antunes, ou quem sabe até Gilberto Gil. Mas todos não querem ofender a mãe Estado. Nenhum vai dizer que é a favor da legalização ou descriminalização da “massa”. Ou, que o Rio não tem condições alguma de realizar uma Olimpíada com segurança, e que o orçamento do Pan-Americano foi excedido em 300%. Que isso é lavagem de dinheiro público. Quem vai dizer? Se disser, fica sem o “seu” no fim da partilha.
Enfim, acredito que fazer arte não é imagem. Não é ganhar grana e tocar em festivais e praças públicas, nem muito menos ser ovacionado por fazer uma música bonita pra sua “boizinha”. Para mim, a arte, a música é uma ferramenta de mudança. Um instrumento político e social, como já foi visto nos anos 60/70 com os hippies, ou nos anos 80/90 no Brasil contra a AIDS e a favor das diretas. Como já tivemos nomes como Ave Sangria, Cazuza, Chico Buarque, Caetano, O Rappa, Planet Hemp, Paralamas do Sucesso, Titãs, Chico Science e Nação Zumbi, entre outros, que sempre opinaram sobre as questões políticas e de interesse público. Aqueles que usavam a fama para alertar e defender pensamentos e ideais necessários para a sociedade. Nada. O que é mais curioso é o fato de muitos desses ainda estarem na ativa. Porém, com outras ambições e com isso forma novos artistas com ambições apenas financeiras o que torna a arte um cabide de emprego. Foi triste!






