
Então,
Como já faz algum tempo que não atualizo esse negócio, vou postar um pequeno conto escrito a partir de algumas doses e tragos em bebidas e cigarros vários.
Dá-lhe!!!!
“O tempo sempre demora a passar enquanto Estevão escreve”. Pensava Inês, às 17h, dirigindo seu carro – “seu” é maneira de dizer, Inês dirige um automóvel bastante bonito adquirido recentemente por sua mãe – cortando a Avenida Domingos Ferreira, numa velocidade moderada, para ela, a mais de 80 Km/h. Pensamentos assim sempre lhe vinham muito repentinamente, e com isso acreditava estar sempre, através de pensamentos, em contato com ele.
Estevão, um estudante do curso de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco, bastante dedicado aos livros e ao curso superior. Inclusive, de acordo com seu bel prazer, acreditava gozar de algum tipo de status por cursar aquele curso, naquela instituição.* Lá, onde, por circunstancia das farras e das drogas, conheceu Inês, sua namorada.
Naquela tarde, ela estava a caminho de seu terapeuta, com uma leve sensação de felicidade proporcionada pela romântica manhã com ele em seu apartamento. Ele morava com mais dois amigos, em um aconchegante apartamento, alugado, no mesmo bairro em que está localizada a Universidade. Eis que em apenas 17 segundos algo muda na fisionomia dela. O telefone toca. Na tela, um rosto, velho conhecido:
- Fala homem, como é que tu estás?
- Bem e você?
- Tudo em paz. Conta às novas?
- Acabei de pensar em você agora. Então resolvi ligar. Fiz mal?
- Não, sempre é bom pensar em alguém com boas energias, faz bem para os dois.
- É e ainda mais quando a gente vê essa outra pessoa.
- Ver. Tais me vendo como?
- Te vi agora passando aqui no shopping, você esta ou não no shopping?
- Estou. Mas acabei de entrar. Ainda nem desci do carro.
- (risos) Eu sei. Estava entrando a pé, quando te vi passar no carro. O teu carro eu conheço de longe.
- (ela também ri) Sim e você vai para onde?
- Vim aqui comprar uma "onda" e vou pra casa. Estava aqui perto e to precisando comprar.
- Então, te dou uma carona de volta para Olinda. Também vou fazer uma coisinha bem rapidinha e vou voltar pra casa.
- Ta. Te encontro no estacionamento, onde acabei de te ver estacionando o carro.
- Ta, quem chegar primeiro liga para o outro.
- Beijo.
- Até.
Nessa hora, o coração de Inês está frugalmente palpitando. Ela sente o pudor se esvair junto com o cheiro do seu perfume, sugado pelo movimento de abrir e fechar da porta eletrônica da entrada do shopping.
- Estou aqui já.
- Eu também já saí do shopping, em um minuto estou ai. Beijo.
O telefone de Estevão toca.
- Diga lá Inês!
- Só liguei pra dizer que está tudo bem, e eu estou indo para casa. Vai demorar muito escrevendo ainda?
- Sim, Creio que só termine por volta das 22h ou 23h da noite.
- Ta certo. – Nessa hora, Inês não resiste às caricias feitas por ele, o outro, em sua pélvis. E solta um fragoso sorriso.
- Aconteceu alguma coisa?
Pergunta Estevão, como reação a risada e a alegria repentina da namorada.
- Não, só liguei para dizer que já saí da terapia e estou indo para casa. Beijo. (mais uma reação sonora indiscreta)
- Ta. O quê? Tudo bem. Até mais ver.
Estevão não gostava de falar ao telefone, e também detestava ser interrompido enquanto escrevia. Passava várias horas de fronte para o computador digitando suas idéias e ideais. Voltando para casa, com um semblante característico das mulheres que traem. Inês sente algo. Quis disfarçar que era culpa. Mas depois sorriu. Olhou-se no espelho retrovisor, e viu no próprio rosto a fidedigna imagem de uma adultera. E pensou:
- Como ainda faço coisas assim com o Estevão.
- Inês estava diferente ao telefone. (Pensa no intervalo entre um trago e outro no cigarro Marlboro Light)
- Se aquele homem me deixar acho que eu morro.
- E se Inês estivesse me traindo naquele momento? Quem sabe, com alguém que eu conheço. Talvez até amigo ou algum conhecido.
- Não sei como ainda faço essas coisas. Essa foi à última vez. Prometo pra mim mesma.
- Isso (falava alto).
- Sim, isso mesmo. A mulher trai. Toda mulher trai. (pensava debruçado sobre o computador e compulsivamente digitando e tragando com voracidade o Light).
- Ela sente, nesse instante, uma pena de si mesma. Agora ela está sendo só remorsos e sua alma gargalha. Suas pernas fraquejam enquanto ela lê o texto. (ele está quase ensopando o teclado de saliva. E não para de escrever por um segundo).
- É isso mesmo. Ela quase chora. Chega seu olho a lacrimejar. (ele está em transe. Mas não para de escrever. E seu humor se altera a cada segundo. Ele sente fulgores e está se contorcendo para não queimar o próprio lábio com a brasa do cigarro).
Antes de dormir, ela, feliz, nem poderia se imaginar traindo ele. Pensa numa bela poesia e envia, através de uma mensagem de sms, todo seu amor para a telinha arranhada do celular dele.
Ele, já com os olhos rasos de sono e de ejaculação criativa: Lê, dá um sorriso, seus lábios doem, estão frágeis. Vira-se e dorme.
Chora Cavaco!!!!!
Abre as pernas ou abre o jogo, por que esse filme eu já vi!
Iiiiihhhh!!!!